Uma operação judicial nesta sexta-feira (8) determinou a prisão preventiva de 23 policiais militares de diferentes patentes por suspeita de envolvimento na chacina ocorrida em Miracema do Tocantins em fevereiro de 2022, que resultou na morte de sete pessoas em dois dias.
A investigação aponta que integrantes da Polícia Militar atuaram em várias etapas do crime, monitoramento das vítimas, apoio operacional, transporte, execução e destruição de provas. Além dos 23 com prisão decretada, outro militar foi submetido a medidas cautelares. Entre os oficiais citados estão o tenente-coronel Douglas Luiz da Silva (ajudante de ordens do governador), os majores Wallas de Sousa Melo, Yurg Noleto Coelho e Wilquer Barbosa de Sousa, e o capitão Gleiston Ribeiro Pereira.
Conforme decisão da 1ª Vara Criminal de Miracema, o tenente-coronel Douglas Luiz teria usado veículo oficial para permanecer próximo ao local onde três vítimas foram abordadas. O major Wallas é investigado por circular nas imediações da delegacia antes da invasão que resultou em duas execuções. Yurg Noleto é apontado como liderança informal que coordenou equipes, posicionou viaturas e teria participado da retirada de equipamentos de gravação. Wilquer Barbosa é acusado de manipular registros de viaturas; Gleiston Pereira, de usar veículo presente nos momentos-chave e de buscar informações sobre a vítima sobrevivente.
Os crimes ocorreram após a morte do sargento Anamon Rodrigues de Sousa em confronto em um mandiocal. No mesmo período, Valbiano Marinho da Silva foi executado em casa; em seguida, a delegacia de Miracema foi invadida e Manoel Soares da Silva e Edson Marinho da Silva foram mortos dentro da unidade. No loteamento Jardim Buriti, quatro jovens foram sequestrados, torturados e executados, houve um sobrevivente.
A decisão judicial impôs ainda o afastamento imediato das funções públicas, suspensão do porte e posse de armas, proibição de acesso a unidades policiais e de contato com a vítima sobrevivente, familiares e investigadores.
A Polícia Militar do Tocantins informou que acompanha o caso pela Corregedoria-Geral, apoia o cumprimento das determinações judiciais e reafirma compromisso com a legalidade e a apuração dos fatos. A Casa Militar comunicou o afastamento do tenente-coronel Douglas Luiz de suas funções e agendas oficiais.
O advogado que representa os militares afirmou não ter tido acesso à decisão e prometeu emitir parecer após análise do documento. As investigações seguem sob responsabilidade da Polícia Civil e do Ministério Público, que conduzem a apuração dos fatos e das responsabilidades.